segunda-feira, 1 de julho de 2013

AS MANIFESTAÇÕES SERIAM O PRENÚNCIO DA MORTE?




 Um colega de trabalho, respeitado sempre pelas suas opiniões, fez um comentário que quero parafraseá-lo aqui. O gado quando entra no abatedouro ele caminha seguindo a multidão até o último suspiro. Não sabe o que vai acontecer, apenas vai. Ele segue. Alguns gritam, outros gemem, muitos calam-se. Pode ser o grito que prenuncia a morte, pode ser também a cor vermelha do sangue. Pode ser... Mas o gado não tem consciência do ato, apenas segue. Talvez as experiências das semanas de manifestações possam representar isto, um grito que é o prenúncio da morte da democracia.

As decisões políticas tomadas por todas as esferas são apenas representações paliativas de marketing visando o próximo pleito. E nossos políticos, de maneira geral (com algumas exceções), são especialistas em ações deste tipo. Vide o exemplo clássico de Collor que defenestrado em 1992 e oito anos mais tarde volta glorioso abençoado pelo povo através do voto. De nada adianta seguir como o gado pela rua se nos contentamos com um pronunciamento que nada diz. Ou pior, continuar o griteiro sem fundamentar nossos argumentos. Ir para a rua não é seguir como o gado, mas é assumir uma atitude democrática frente ao sistema e acima de qualquer grito, conhecê-lo para participar.

O que as redes sociais virtuais fizeram pode ser nomeadas por muitas coisas mas não como um ponto de mobilização. As redes agregaram um discurso vazio de “vamos para a rua”. Agora é preciso encher o discurso tornando-o legítimo e válido frente ao sistema. Antes de gritar, ouvir e acompanhar os discursos de todas as esferas de poder. Ao ouvir conhecer a natureza dos dados. Caso contrário estaremos oficializando o prenúncio da morte da democracia.