terça-feira, 14 de maio de 2013

ADEUS, MINHA RAINHA

Comentário do filme Les Adieux à la Reine

Este foi um dos filmes do festival francês de cinema 2013. Acompanhei-o ainda na sexta-feira. Um filme histórico onde o espectador já conhece o final, por questões óbvias, e mesmo assim fica na torcida por um desfecho ainda melhor. O longa começa na França no dia14 de Julho de 1789. Início da revolução que mudará o curso da história e terminará com uma das mais longas monarquias europeias. O povo francês toma a Bastilha como sinal de descontentamento com o regime de Luís XVI. Em Versalhes, contudo, a vida palaciana continua a viver uma aparente normalidade, longe da turbulência das ruas de Paris, num filme onde não há heróis nem vilões, apenas pessoas retratadas. Porém quando a chega à corte, os nobres e servos, percebendo a gravidade da situação, fogem para salvar as suas vidas. E aqui começa a história do longa, três dias são retratados. Uma devota serva, leitora de Maria Antonieta se submete as vontades dela por conta de sua devoção. Chama a atenção a forma como os serviçais se submetem à vontade sacrossanta da monarquia. Maria Antonieta não é abordada como por conta de seus desejos carnais, como em outras obras, mas são explorados os sentimentos da rainha e a forma como ela conduz e envolve aqueles que estão a sua mercê. E neste envolvimento Sidonie é envolvida na trama e conclui o longa com uma fala de arrependimento porque a anulação da monarquia a anula. Com o adeus ela deixa de ser aquela que é. Diante de todo desespero da trama psicológica que Sidonie é envolta o espectador consegue emocionar-se com a plebeia. O clima de revolta deixa no ar uma ansiedade e faz o espectador esperar algo que não acontece. Fala dos medos da revolução sem uma gota de sangue e sem o fogo real de Antonieta.