terça-feira, 7 de agosto de 2012

Educação: índices pioram

Texto de prof. Renato Olegário, publicado no jornal de Sta. Catarina, n. 12.642 em 06 de agosto de 2012.

Moacir Pereira, em sua coluna de 20 de julho, referencia dados colhidos por Gustavo Ioschpe e relatados durante palestra na sede da Fiesc. Segundo o palestrante, 74% da população brasileira sabe ler, mas não compreende o que leu. Isso não me causa surpresa. Num país onde a aprovação se dá por decreto, e não por mérito, é aceitável que aproximadamente três quartos da população seja semianalfabeta.

Mas pode-se piorar as coisas. Nessa aprovação compulsória, a única condição de reprovação não está associada a conhecimento, mas à frequência às aulas. E temos, então, algo em torno de 25% de reprovados. Preste atenção, leitor: os que reprovam, reprovam porque não sabem nada. Os aprovados, também não sabem nada, mas ao menos frequentam a escola.

O colunista ressalta que o grande problema da educação no Brasil é a escola pública. Explicita que não é a falta de recursos, mas sim a má gerência destes. E mexe em uma ferida dolorosa: a desvinculação entre salário e melhoria de ensino. Essa discussão deixa os professores à beira da histeria, pois “o salário é sagrado”. Para os professores, os culpados pelo mau desempenho são os alunos, os pais dos alunos, as condições da escola, a merenda escolar, o clima, a direção, o governo do Estado, a dona Dilma, o Barack Obama, mas nunca o professor!

Para o colunista, enquanto não mudar a postura dos professores, não mudará a prática pedagógica. Busco resposta a uma questão há tempos: se houvesse um Conselho Federal de Professores, com normas claras quanto à atuação e competência, os salários seriam tão baixos? Ou os salários são baixos porque qualquer um pode ser professor e substituí-los é muito fácil?

O problema maior, penso eu, seria criar um sistema de avaliação novo, tanto para alunos, professores e escolas. Todos somos avaliados informalmente a todo momento e por todos. Gostemos ou não, essa avaliação é que nos rotula. E, a partir da análise desse rótulo, é que repensamos nossa postura e buscamos melhorar nosso índice.

Comentário do prof. Eduardo Fortunato Machado, publicado no jornal Sta. Catarina, n. 12.643, em 07 de agosto de 2012

Complementando o artigo Educação: índices pioraram, do professor Renato Olegário (Santa, 6 de agosto), quero lembrar que professor é uma das únicas profissões que exige curso superior e que pode ser exercida plenamente antes da graduação – existe a categoria dos professores não habilitados. Por acaso, estudante de Engenharia pode assinar plantas? O aluno de Medicina do primeiro semestre pode operar? Advogado sem OAB pode representar? Pois é, ensinar, qualquer um pode. Aí se vê a seriedade com que se trata a educação.