terça-feira, 28 de agosto de 2012

A CRENÇA NA POLÍTICA


Penso que as meias dúzias de corruptos que habitam nossos parlamentos conseguiram atingir o objetivo que se propuseram: fazer a população brasileira desacreditar da política. O que mais ouço de meus alunos “são todos corruptos” e de amigos “vou me divertir com o horário político”. Mas isto não é política. A falta de confiança é o pior de todos os males. Enquanto que nós desacreditarmos, a meia dúzia de corruptos faz e desfaz na lentidão da justiça sem importar-se com a moralidade, pois os julgadores, que possuem o poder do voto não olham com autonomia para estes. Olham com um olhar de desprezo e julgamento generalizado. A descrença é a arma mais perigosa para o descrente. Se não houver crença na política todos os desmandos, todas as falcatruas podem ser cometidas sem nenhum problema de moralidade. Se não houver crença não haverá cobrança. Sem cobrança a aceitação da corrupção torna-se corriqueira e própria de uma atividade que é para o bem maior de uma população. O poder está nas mãos do povo, que se capacitado, reflexivo e autônomo não deixariam a meia dúzia de corruptos infiltraram-se pelas brechas do poder. Para o filósofo alemão Habermas, estamos vivendo um momento onde o ser humano adota um modelo centrado de vida e com isto se esquece do bem comum, que é o verdadeiro objeto da política.
Porém, ainda cabe ao eleitor o exercício de escolha daqueles que vão escolher. Eu não escolho a descrença.