quarta-feira, 25 de julho de 2012

O que é ser feliz?


O que é ser feliz? Venho há tempos pensando nesta questão. Cada vez que penso sobre isso lembro-me de Cazuza, os ignorantes são mais felizes porque não sabem quando vão morrer... venho pensando que ele tem razão. O não saber permite que o individuo se aproprie de um mundo mágico onde qualquer adversidade pode ser explicada pelo mágico, pelo sagrado, por tudo aquilo que transcende o palpável. O não saber é bom porque quando não há um caminho qualquer lugar é chegada. Se qualquer lugar é chegada a conquista da felicidade pode acontecer nestes lugares. Não há para onde ir, então estar cheio em si é estar feliz. Agora o saber é problemático. Ele não dá caminhos apenas aponta crises. E estar em crise é estar num processo de busca por um caminho, se há busca, não há lugar para a ignorância e consequentemente não há lugar para a felicidade. E agora lembrei-me de Aristóteles, que a felicidade é o fim último do homem. O fim é um indicativo de caminho, do caminho de alguém que superou uma crise...

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora? (Carlos Drummond de Andrade)