quinta-feira, 21 de junho de 2012

A Ilha (The Island)

Texto do blog MARCELINO - FILOSOFIA

A Ilha (The Island)
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Djimon Hounsou, Steve Buscemi, Michael Clarke Duncan.
Direção: Michael Bay
Gênero: Thriller de ação
Distribuidora: Warner Bros.
Estréia: 05 de Agosto de 2005
Sinopse: Lincoln Six-Echo (EWAN MCGREGOR) é um morador de um utópico porém rigorosamente controlado complexo em meados do século 21. Assim como todos os habitantes deste ambiente cuidadosamente controlado, Lincoln sonha em ser escolhido para ir para "A Ilha" – dita o único lugar descontaminado no planeta. Mas Lincoln logo descobre que tudo sobre sua existência é uma mentira. Ele e todos os outros habitantes do complexo são na verdade clones cujo único propósito é fornecer “partes sobressalentes” para seus humanos originais. Percebendo que é uma questão de tempo antes que seja “usado”, Lincoln faz uma fuga ousada com uma linda colega chamada Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson). Perseguidos sem trégua pelas forças da sinistra instituição que uma vez os abrigou, Lincoln e Jordan entram em uma corrida por suas vidas e para literalmente conhecer seus criadores.


Comentário:

O começo de A Ilha engana. Quando você acha que o filme será uma ficção científica modernosa e interessante, acontece uma reviravolta e o longa torna-se somente mais um filme dirigido por Michael Bay (Armageddon e Pearl Harbor) com suas explosões e mais explosões. E mais algumas.Num futuro não definido, Lincoln Six-Echo (Ewan McGregor) mora no último refúgio longe da contaminação que tomou conta da Terra. Não somente seus atos, mas também seus pensamentos são monitorados, assim como seus relacionamentos interpessoais – numa situação já descrita por George Orwell no livro 1984. Como todos os outros habitantes desse local, Lincoln espera ser um dos escolhidos para chegar à Ilha, o último ponto não contaminado no planeta. McCord (Steve Buscemi) é um amigo seu que lhe mostra alguns prazeres da vida anterior a esta – como a bebida alcoólica – e é durante uma visita a ele que Lincoln encontra um inseto. O fato faz com que pense se não há outros lugares sem contaminação. Nessa procura, o protagonista descobre que pode estar inserido numa grande mentira: a tão sonhada Ilha não existe. Na verdade, a contaminação do mundo também não e, acompanhado da bela Jordan Two-Delta (Scarlett Johansson) – que está prestes a ser mandada ao falso paraíso -, Lincoln foge da redoma onde foram criados. Com a ajuda de McCord, fogem do grupo de Albert Laurent (Djimon Hounsou, de Constantine) que, em nome do chefão Merrick (Sean Bean), quer impedir que a informação possuída pela dupla vaze.Os dois fazem parte de um grande projeto: são clones de “patrocinadores”, pessoas que os encomendam para terem órgãos na necessidade de um transplante. Os clones não passam de alguns quilos de carne preparada durante anos para o consumo de humanos que tenham dinheiro o suficiente. Durante todo o filme, há essa possibilidade dessa discussão pertinente à medida que a medicina avança. O vilão brinca de Deus e inventa um paraíso para seu rebanho. Os heróis, cujas mentes e memórias foram moldadas desde o momento em que vieram ao mundo, rebelam-se e contestam tudo que acreditaram.Cheio de conteúdo “aproveitável” e uma direção de arte futurista caprichadíssima, A Ilha acaba se perdendo ao exagerar exatamente naquilo que Michael Bay mais é especialista em fazer: filmes de ação. O roteiro, que começa tomando a direção de um Admirável Mundo Novo (livro escrito por Aldous Huxley), misturado a elementos de 1984, escorrega. Por isso, a impressão que fica no espectador é que são dois filmes. Enquanto os personagens correm, fogem e quase explodem, tudo parece ficar cada vez mais absurdo. Nem o fato de existirem clones para o transplante de órgãos é mais absurdo e impensável se comparado aos trancos e barrancos pelos quais passam o nosso casal de heróis.Além do argumento cheio de potencial, estamos lidando aqui com dois atores talentosos que apresentam uma boa química. Isso sem contar a trilha sonora, que não pára – inclusive, está aí um grande problema nas grandes produções recentes: parece que não se investe mais em efeitos sonoros para dar lugar às músicas, que não param durante o filme. Além de ser um desperdício artístico, A Ilha também desperdiçou dinheiro: custando US$ 122 milhões, faturou somente US$ 12 milhões no primeiro final de semana em cartaz nos EUA.