terça-feira, 17 de janeiro de 2012

TWITTER: DIÁLOGO OU MONÓLOGO?


Em tempos de áudio e vídeo o texto está ganhando uma importância significativa na comunicação. “Se não dá pra falar, manda um SMS”. Que slogan criativo. Para pensarmos a questão alguns dados. O Estadão, no blog de informática e tecnologia afirmara que em 2010 no Brasil o uso do SMS cresceu 75% em relação ao ano anterior. A revista INFOWeb afirma que em dias de chuva o uso do SMS dobra em relação aos dias de sol. Ainda do blog do Estadão, 79% dos usuários de celular pelo mundo inteiro usam a tecnologia para se comunicar. Porém, no Brasil, apenas 51% são usuários desta tecnologia e os Estados Unidos são os campeões dos 140 (ou seriam 160, ou ainda qual o limite mesmo?) caracteres de informação.
Muitos antes da era da tecnologia mobile já se discutiam o uso ou não da escrita. Sócrates, na Grécia Antiga, criticava o exercício da escrita para as reflexões filosóficas. O sábio dizia que a escrita prejudicaria a arte da retórica, limitado o pensamento e engessando as ideias. No discurso textual não há o enfrentamento direto da retórica tão bem defendida por Sócrates. Ironicamente ou não, a escrita faz parte de uma série de condições históricas que contribuíram para o desenvolvimento da escrita na Grécia Antiga.
Mas no contexto atual das tecnologias o sucesso de uso da comunicação escrita é inegável. Vamos caminhar agora do SMS para o Twitter, porém mantendo os 140 caracteres. Para quem falo no Twitter? Quem é o receptor da minha mensagem? Ao mesmo tempo em que falo para uma platéia não falo para ninguém. O discurso é semeado sem limites. Se há interação pode surgir um diálogo, se não houver um monólogo disfarçado de diálogo público. Mas que mundo é este? É um mundo onde a escrita ganha um poder cada vez maior na comunicação. É uma mesa virtual de debate e ao mesmo tempo um espaço de autopromoção. Os veículos de informação usam e abusam da ferramenta para divulgar notícias. A síntese da noticia limita e engessa a reflexão. Será que Sócrates poderia contribuir para a crítica da ferramenta? O que vemos no uso do Twitter é apenas indicativos precisos de uma informação pobre, espremida para caber em poucos caracteres, porém, com um poder de penetração gigantesco.
Alias para quem estou escrevendo isto?