terça-feira, 10 de janeiro de 2012

O BURACO NO MUNDO

A reflexão de hoje vai usar dois vídeos diferentes que assisti na última semana. O primeiro deles é o Buraco no Muro, que está disponível no YouTube e o segundo a primeira parte do programa Espaço Aberto: Ciência e Tecnologia do canal pago Globo News que foi ao ar na primeira segunda-feira deste ano, porém a entrevista é de 19 de setembro de 2011. São produções completamente diferentes, mas no fundo visam à mesma reflexão: um olhar sobre a mídia informática no universo do ensino.

1. O BURACO NO MURO

O vídeo mostra a experiência de Sugata Mitra, chefe de desenvolvimento de pesquisa da NIIT em Nova Delhi. A experiência consistia em distribuir computadores na periferia pobre em cidades da Índia. Os computadores estão locados num espécie de buraco dentro de muros. Eles estão lá à disposição de todos os que desejam “mexer”. O autor define esta experiência com um método ou uma porta que liga os que não estão no ciberespaço com aqueles que compõem o ciberespaço.

A reportagem de Rory O’Connor foca que em todos os buracos no muro existem dezenas de crianças entusiastas com a novidade. Que buscam aproveitar e descobrir o que a máquina proporciona. Relacionam elementos da informática com objetos práticos do cotidiano. A ideia dele é transpor as fronteiras digitais fazendo que a máquina possa ser um instrumento agregador ao processo de ensino. As crianças começam a navegar sem nenhuma instrução prévia. O aprendizado do acesso é construído coletivamente. No vídeo, as crianças compartilham o saber através de uma conversa informal frente ao espaço aberto no muro. Um buraco no muro que representa uma janela aberta para o universo. A experiência de Mitra, segundo o documentário, mostra que quando há um agente motivador o aprendizado é construído de maneira significativa e colaborativamente e neste caso a mídia informática tende a esta construção significativa e colaborativamente.

Veja o vídeo clicando aqui.

2. AS APARÊNCIAS PODEM ENGANAR

O segundo vídeo é uma entrevista com a psicóloga Sherry Turkle comentando sobre o comportamento humano diante da conexão. A entrevista não é algo que possa ser didaticamente descrito, mas é algo que nos leva a tecer inúmeras questões.

No ciberespaço estamos juntos ou sozinhos? Em que momento há o encontro com o “eu”? A ação que nos faz permanecer perenemente conectados sufoca a reflexão segundo Turkle, como não sufocá-la diante da necessidade da conexão? Qual o prejuízo da conexão perene? Seria apenas um olhar pra fora, um olhar para a janela sem um olhar para nós mesmos? Que sentimento de urgência é este que transforma a vivencia numa necessidade de estar conectados a todo o tempo? Quem somos nós nas redes sociais virtuais?

Segundo a entrevistada, no Facebook, por exemplo, os indivíduos podem buscar exibir um “eu ideal” através de uma criação de identidade perfeita. Então, o que somos e o que representamos diante da rede? Outra questão que cabe aqui é um pensar a partir do existencialismo, o que estamos fazendo com aquilo que nós fazemos conosco nas redes sociais virtuais? Como criar uma identidade verdadeira do “eu” diante desta liquidez toda?

O segundo vídeo não fala necessariamente na questão do ensino, mas se o ensino deve estar sempre conectado na cotidianidade, não há como ignorar este contexto. Diante de todas estas questões cabe um olhar para a filosofia socrática. Sócrates diante do oráculo de Delphos se depara com uma frase que transforma a sua trajetória: conheça-te a ti mesmo!

Veja a gravação do programa clicando aqui.