sábado, 30 de julho de 2011

O poeta pede ao seu amor que lhe escreva

Meu estranhado amor, morte que é vida,
tua palavra escrita em vão espero
e penso, com a flor que se emurchece
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A peder inerte
nem a sombra conhece a evita.
Coração interior não necessita
do mel geladao que a lua derrama.

Porém eu te suportei. Rasguei-me as veias,
sobre a tua cintura, tigre e pomba,
em duelo de mordidas e açucenas.

Enche minha loucura de palavras
ou deixa-me viver na minha calma
e para sempre escura noite d'alma.

FEDERICO GARCIA LORCA
Poemas Esparsos