terça-feira, 28 de junho de 2011

Educação: “O engodo e o desconforto”


Comentário intitulado "O engodo do governo e o desconforto da educação" foi me enviado por email. O texto é escrito pela professora Cristina Sutil, de Otacílio Costa. Veja o conteúdo:
"Quem pode sentir-se bem com as condições apresentadas no cenário educacional? Esses trinta e poucos dias de greve do magistério catarinense desenterraram décadas de problemas, advindos de situações precárias de trabalho e de governos descompromissados com a educação de nosso Estado. Que bom que nós, os professores tivemos a ousadia e a coragem de abrir a caixa de Pandora da Educação. No início estávamos um pouco tímidos, mas agora nos agigantamos. Este enfrentamento dos professores com o governo está revelando o poder adormecido de uma profissão nobre da humanidade. Já não somos mais anônimos, estamos recuperando nosso prestígio social. Recuperaremos nosso valor! Revelamos o desconforto da educação. Os holofotes estão focando o outro lado da margem e ofuscando o governo. Estamos brilhando! Vale lembrar que esta luta é legal e justa merece o apoio e a compreensão da sociedade. Já fazia algum tempo em que os professores não se manifestavam coletivamente. Está bonito de se ver e ouvir. O momento é oportuno e único. A união, a civilidade, a coragem, a ousadia e a organização de milhares de professores está apontando novos caminhos para a educação catarinense. Quando voltarmos aos nossos locais de trabalho, às nossas comunidades escolares teremos novos elementos e conteúdos para trabalhar nas salas de aula. O que estamos presenciando, discutindo e descobrindo está renovando nossas expectativas, nossa maneira de ser, agir e pensar na educação. Na verdade, agregaremos esta luta aos currículos educacionais. Nossos alunos serão capazes de entender nossas demandas, com consciência política e pensamento crítico e reflexivo desenvolvido por nós. Para finalizar esta escrita, comungarei da ideia de muitos colegas professores. Jamais poderemos ser coniventes e omissos diante da corrupção, autoritarismo e desmandos do governo. Estamos diante de uma proposta indecorosa, de um engodo. Vamos ser cautelosos e manter nosso propósito. Não temos o poder de mídia, mas estamos apostando na dignidade, no bom senso da sociedade, na justiça do trabalho, na ética e principalmente na vitória de milhares de professores que sonham com uma educação e ensino de qualidade. Estamos esperançosos, como o saudoso Paulo Freire. Continuaremos ousados e corajosos para enfrentar as adversidades e contradições com mais competência e menos subserviência. Vamos resgatar a vontade de transformar a sociedade, transformar as pessoas em seres mais humanos, mais autônomos e felizes".
Professora Cristina Sutil