segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Eu falo palavrões

Ontem repreendi em tom de brincadeira uma amiga que falou um palavrão. Ela é muito querida e inteligente, uma mulher fantástica. Mas aproveitei o gancho para fazer aquele comentário idiota: você falou um palavrão, não acredito!! Por que as pessoas dizem que é feio falar palavrão? Puta que pariu o filho da mãe que pensou isto pela primeira vez. Feio é o caralho. O filme Tropa de Elite consegue como poucos fazer uma crítica social ao sistema (diga-se de merda) usando diversos palavrões. Até o mais ignorante espectador conseguiu entender a mensagem. O futebol detém os três maiores registros de audiência da história da televisão e lá dentro é falado tantos palavrões quanto jogadores existem no Brasil, e com exceção do comentarista Neto não vi ninguém, até hoje falar algo contrário, então lá pode e aqui não pode? Vá se fude aspira!

O palavrão libera endorfina. Anestesia o estado psicológico. Ante a uma moral repressora a fala de um palavrão traz uma sensação de alivio diante do momento sacana que o individuo enfrenta. O palavrão não é gratuito, ele é o momento que leva o dizente a um estado de graça ritualizando a própria desgraça. Transforma o ente transcendendo suas forças para um estágio superior. É o grito de libertação. É a náusea do constante que traz um ritmo a moral uníssona de falsos pregadores do bom costume.


Quia peccavi nimis cogitatione verbo, et opere: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Eu falo palavrões, no trânsito questiono a integridade sexual da progenitora dos motoristas barbeiros. No futebol desejo que as pessoas tenham relações sexuais consigo mesmas. Questiono a orientação sexual de alguns e até mando voltarem para as mulheres de vida fácil que geraram determinado ser. Falo palavrões e não acho isso feio.