sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Em defesa das putas

O trânsito de Blumenau e região está cada dia pior. Filas inúmeras, motoristas que ultrapassam seus limites, estradas insuficiente, e soluções inadequadas ao tamanho do problema. Você já somou o tamanho do tempo que fica parado em filas? Somente esta semana fiquei parado cerca de trinta minutos, isso porque ando de moto. Parado no trânsito é possível perceber a paisagem em volta, casas, ruas e coisas que no andar normal não são perceptíveis. Na longa parada de hoje esta a observar duas garotas de programa que estavam num ponto de ônibus a sorrir. Conversam dando a entender que fossem grandes amigas. Gesticulavam a ponto de se assemelharem com italianos. Estavam curtindo o momento da não chegada de clientes. O ponto de parada bem coberto, impedia que o sol das cinco horas atrapalhasse a longa conversa. Tudo tranquilo naquele inverno de rodovia, até que dois piás, que estavam a sair da escola interrompessem a mesma perfeita ordem da conversa das putas e do caos da rodovia.

Mais parecia que as crianças estivessem saindo de uma longa sessão de tortura. Gritavam extravasando quatro horas de opressão, saiam sujos como se esteve a tarde inteira numa campo de coivara. A julgar pelo tamanho dos pimpolhos não deveriam ter algo entre sete e oito anos, não mais, nem menos. Ao passar enfrente o ponto das putas olharam pelas pernas nuas das duas que ali ofereciam prazeres rápidos, e gritaram selvagerias que este desbocado que aqui escreve não se atreveria a repetir. As mulheres da vida ficaram perplexas pela ausência da pureza infantil, que aquelas demônios transvertidos de crianças proferiam. O respeito proferido por eles era maior que a ideia de vender os corpos. As mulheres levantaram-se do ponto e as crianças pelo meio dos carros parados sumiram ao atravessar a rodovia. Motores parados que roncavam, putas ao lado inconformadas e crianças pelo meio rosnando palavras. Retratos de um anoitecer de sexta-feira.