sexta-feira, 2 de julho de 2010

O time do Brasil é reflexo de seu treinador

Já ouvi diversas vezes que um cachorro é reflexo de seu dono. A maneira como o é criado tem muito de seu dono, alias, como Oscar Wilde afirma em O Retrato de Dorian Gray, uma pintura tem muita mais do artista do que do modelo que o serviu de inspiração. O jogo do Brasil de hoje, diante dos holandeses mostrou isso também. O time de futebol é reflexo de seu treinador. Felipe Melo (5) se mostrou um jogador desiquilibrado, fato que me lembrou de Dunga diante dos questionamentos dos jornalistas: puro desiquilíbrio. Felipe Melo, mesmo quando o placar é favorável se mostra ríspido, violento e descompassado. Ter raça e ser duro não significa ser desleal – alguém se lembra de Gamarra? Jogadores como Felipe Melo contradizem o que a FIFA prega por FarPlay, não apenas ele, mas como muitos neste mundial. Um técnico que chuta o banco de reservas diante de qualquer movimento do juiz também é reflexo do descontrole. No terço final do jogo, após o segundo gol sofrido, o time brasileiro esqueceu de todo posicionamento tático e começou a jogar como se estivessem numa várzea numa busca desesperada pelo gol. Desde o quadrado mágico de Parreira não vejo um esquema na seleção, senão um amontado de volantes que sustentaram uma ideia de resultado, mas como o resultado hoje não veio, qual será a fala de sustentação de tamanha incompetência. Várzea não tem esquema tático ou jogada ensaiada, tem apenas resultado. Só que na várzea não há profissionais com salários astronômicos. Dunga foi um teste de Ricardo Teixeira, mas o topo do futebol é um lugar para testes ou deveria ser a mostra máxima da competência.