quinta-feira, 3 de junho de 2010

Zimbabwe

O que faz o Brasil marcar um amistoso contra Zimbabwe? Não vou falar do futebol, mas há coisas que me intrigam. Vamos falar de política. Em tese a republica que fica ao norte da África do Sul é um país democrata, mas só em tese. O país possui um presidente executivo e um parlamento que possui duas câmaras. O atual presidente é Robert Mugabe, que foi eleito como primeiro-ministro em 1980 e com uma mudança na constituição em 1987 tornou-se presidente. Em março de 2008 houve eleições gerais, que foram ganhas pelo partido oposicionista, em termos de lugares no parlamento, mas nenhum dos três candidatos à presidência obteve os 50 % necessários. Em segundo turno Mugabe concorreu sozinho às eleições, tendo sido empossado para o 6ª mandato dois dias depois. O candidato alternativo, Morgan Tsvangirai, havia desistido da corrida eleitoral alguns dias antes, alegadamente devido ao clima de violência que se tinha implantado no país. Posso, em certo grau, afirmar com alguma segurança que o país vive numa ditadura. Então por que promover tal barbárie com um jogo amistoso?

Ser recebido e cumprimentando pelo presidente antes do jogo. Ter jogadores convidados para conhecer o palácio, promover a economia através da transmissão da TV aberta, não é outra coisa senão promoção de um país onde 88% da população estão desempregadas e quase 92% vivem em situação de pobreza e miséria. Não foi um jogo que buscasse despertar um olhar humanista sobre o país, mas uma demonstração que futebol e política podem reviver os momentos negros que se mostrou na década de 70: lamentável. E isto acontece numa Copa onde se lembra a todo instante a luta de Mandela e do povo da África do Sul pela dignidade da pessoa humana.

ZIMBÁBUE 0 X 3 BRASIL. Local: Estádio Nacional, em Harare (Zimbábue). Data: 2 de junho de 2010, quarta-feira.Horário: 10h30 (de Brasília). Árbitro: Abdul Basit Ebrahim (África do Sul). Assistentes: Somi Luianda e Rezeers Andrew (ambos da África do Sul). GOLS: BRASIL: Michel Bastos, aos 41, e Robinho, aos 43 minutos do primeiro tempo. Elano, aos 11 minutos do segundo tempo. ZIMBÁBUE: Sibanda; Jambo, Markonese (Sweswe), Mwanjali e Mapemba; Rambanepasi (Alumenda), Nengomasha e Karuru (Nkhata); Benjani (Nyomi), Musona e Antipas (Mushekwi). Técnico: Norman Mapeza. BRASIL: Júlio César (Gomes); Maicon (Daniel Alves), Lúcio (Luisão), Thiago Silva e Michel Bastos; Felipe Melo, Gilberto Silva, Elano e Kaká (Júlio Baptista); Robinho (Nilmar) e Luís Fabiano (Grafite). Técnico: Dunga