terça-feira, 29 de setembro de 2009

MANIFESTO SOBRE A EDUCAÇÃO

Outro dia, folheando a revista num consultório médico, li uma reportagem bastante interessante que mostrava, com estatísticas, que as crianças de origem asiática, que vivem no Brasil, apresentam um desempenho escolar superior ao dos estudantes brasileiros. O texto explicava que, nas classes onde elas são maioria, o silêncio e a atenção são uma constante. Ouve-se claramente a voz do professor explicando a matéria. Dizia também que essas crianças dedicam nove horas diárias ao estudo (cinco na escola e quatro em casa) enquanto que as nossas, apenas cinco (as da escola). Quando chegam em casa, essas crianças pegam seus cadernos, livros e estudam. Fazem os deveres de casa que o professor passa, lêem, treinam equações matemáticas etc.

Os brasileirinhos, em sua maioria, vagueiam pelas ruas empinando pipa ou jogando bola. Com isso, os asiáticos do nosso país estão conseguindo os melhores postos de trabalho (que são justamente aqueles que exigem maior qualificação e preparo). Em empresas com ótima remuneração, assistência médico-hospitalar e condições de ascensão profissional.

E tudo isso me fez lembrar uma menina brasileira que morava no Japão e veio visitar os parentes que ficaram aqui. A tia dela era Orientadora na escola onde lecionávamos. Certo dia estava em nossas classes, tentando dar aula e explicar a matéria para os alunos que, como sempre, só conversavam e brincavam de costas para a lousa, enquanto isso, a tia, nossa orientadora, vagava com a garota pelos corredores da escola, procurando uma classe mais calma, onde a sobrinha pudesse ficar resolvendo as questões de uma provinha de terceira série que ela (tia) havia preparado, para verificar o aproveitamento e a adaptação da menina na escola japonesa. Mas a menina ficou aterrorizada com a gritaria dos nossos alunos e preferiu resolver a prova na Biblioteca, alegando que não conseguiria concentrar-se com aquela bagunça, ela disse que eles eram castigados. Perguntamos então qual era o tal castigo. E sabem o que ela respondeu? Que não sabia, porque na classe dela nunca havia visto um aluno conversar durante as explicações ou desrespeitar seu professor.

Perceberam a diferença? Nas escolas públicas do Brasil, as salas de aula são superlotadas, com até 45 alunos por classe. Para esse auditório, o professor tem que ensinar: o conteúdo das disciplinas (Matemática, Português História, Geografia, Ciências), ainda cidadania, valores, educação sexual, higiene, saúde, ética, pluralidade cultural.

Deverá também funcionar como psicólogo assistente social orientador educacional e orientador pedagógico, desempenhando também todos os deveres familiares que a sociedade resolver transferir para a escola.

É claro que esse discurso de responsabilizar o professor e varrer a sujeira pra baixo do tapete não vai levar a Educação a lugar nenhum. Mas serve perfeitamente para justificar, junto a opinião pública, os baixos salários pagos aos profissionais do estado que mais arrecada impostos no país. Imagine que você está doente, vai ao médico e ele prescreve determinado remédio Você não toma o medicamento, não faz a sua parte e culpa o médico por não melhorar. Assim acontece nas escolas públicas paulistas: o professor ensina e os alunos não prestam atenção, não estudam, não fazem os deveres de casa, como nossos amiguinhos asiáticos. Daí vem o governo e culpa o professor pelo mau desempenho dos "estudantes".

Texto recebido por e-mail.