segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A ternura e o amor

Em tempos de crise o ser humano costuma fazer inúmeras perguntas. Na crise ele questiona o seu ser. A grande questão que motivou a ciência antiga era a descoberta de sua identidade. Identidade que marca o início da história da humanidade. Conhecendo o inicio o ser humano poderia vir a apontar o final da história. O início e o final da história são pontuados em diversas crenças como o Gênesis ou o Apocalipse, onde todas as estrelas do céu serão varridas. Mas entre o início e o final existe um meio e este meio é o fator "complicante". O planeta está vivenciando uma crise epidemiológica. A crise que revela inúmeras fragilidades da gestão do bem estar público. Em meio a tanta fragilidade é preciso realizar escolhas. O governo precisa escolher, os cidadãos precisam escolher. O ato de escolher permite optar entre uma possibilidade ou outra. Mas quando se opta por algo se deixa de lado outras coisas. Pode-se estar entre A e B e ao escolher A nega-se B. O que parece ser bem lógico. O que deveria motivar as escolhas? A resposta não poderia ser outra coisa senão o amor. O amor é no mínimo interessante. Imagine a reação de duas pessoas enamoradas. Mesmo que perdidos numa multidão, eles são capazes de buscar o olhar do outro e nele viajar numa doce ternura contemplando o mar da saudade. A expressão de poucos segundos é capaz de superar a barreira que os separam numa experiência que transcende a realidade. Então a pergunta: por que a ação social não é envolvida em laços de ternura como produto do amor?

p.s: o texto em nenhum momento está apelado para atitudes meramente sentimentalistas, mas está sustentando em noções de possibilidades objetivas da liberdade humana, como afirma MARILENA CHAUÍ, a liberdade é a capacidade para perceber trais possibilidades e o poder para realizar aquelas ações que mudam o curso das coisas, dando-lhe outra direção ou outro sentido (Convite a filosofia, 2004 p. 336).