terça-feira, 14 de abril de 2009

O dia depois de amanhã

O clássico aconteceu, o Corinthians venceu, os programas esportivos polemizaram. Tudo normal no mundo do futebol. Normal? e futebol é normal? É uma paixão que mexe com os ânimos, com o espírito e é capaz de transportar gerações e movimentar uma nação. O autor do segundo gol, o que deu a vitória ao time do parque comemorou ironizando a torcida adversária. Agora vem desconhecido que se diz defensor da ética e dos bons costumes do tribunal de justiça desportiva afirmar que o jogador corintiano estava infringindo a conduta de um bom desportista. Pare. O que é o futebol senão a alegria e a gozação sobre o adversário? Como diria Rubem Alves, o gol no futebol é um estupro. Você violenta o adversário, cala uma multidão e mostra que naquele instante a competência foi infinitamente superior ao fracasso dos zagueiros adversário. Este é o momento do gozo, da explosão, da admiração, o momento de soltar os fantasmas, de gritar de fazer o torcedor esquecer o marasmo do cotidiano, das crises e dos problemas sociais que o cerca. É o clímax do pão e do circo unidos num picadeiro. Se comemorar o gol fosse um ato de investigação moral, Pelé estaria sendo punido por socos no ar (estava fazendo alusão a violência) e Ronaldo seria preso por depredar o patrimônio público (lembram de Presidente Prudente?). Futebol é extrapolar e ir além daquilo que a normalidade dita. Deixem nossos jogadores em paz, deixem serem crianças e polemizar o futebol, porque sem a polêmica e a paixão o futebol se tornaria um grande campeonato de golfe. Deixe-o em paz.