quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um Belchior Vermelho (1)

Sentados na varanda encontravam motivos para sorrir. As cadeiras que já foram de praia serviam como suporte para passar o tempo e reforçar os laços familiares de períodos que a energia elétrica parece distante. Neste cenário, a ausência de eletricidade parece ser o menor dos problemas.


 

As ruas eram vermelhas. As ruas não, mas o que sobrava delas! Algumas pedras soltas marcavam o carreiro por onde passar. O que fora plantação de arroz, agora são maracás avermelhadas de barro que de muito longe carregado fora. As marcas de destruição ficam visíveis por todos os lados: paredes de casas, pedaços de muros e restos de pontes assinalam. Porém, mais do que o material o marcante são as vidas ceifadas. A expressão triste da desolação deixa evidente que o sentido real da palavra desgraça fora encontrado. Re-construir, re-fazer e re-sonhar são palavras que passam a fazer parte de um vocabulário e de um dia-a-dia.


 

(1) Texto escrito, na manhã de 25/11/2008, após uma tentativa frustrada de chegar a unidade escolar, abalado pelo cenário de destruição resultado das chuvas de novembro.