sábado, 18 de outubro de 2008

CASO HELOÁ: A BESTIALIDADE DAS ATITUDES

Escrevo sem saber do desfecho do caso Heloá. Estamos próximos de completar 80 horas de seqüestro. Um espetáculo televisivo. Transmissão ao vivo para o Brasil inteiro com direito a uma entrevista exclusiva por parte do seqüestrador: será o herói do amor arrependido ou o anti-herói da promiscuidade? Não cabe outra classificação senão a bizarrice no episódio: manter em cárcere privado por motivo fútil. Não pretendo entrar no mérito da ação passional destituída de razão, mas há ocorrências que no mínimo são inusitadas. O portal G1 anuncia o desespero dos comerciantes que estão perdendo dinheiro com a movimentação nas redondezas, a polícia sugeriu que as portas dos estabelecimentos devessem permanecer fechadas. Agora poder-se-ia perguntar: o que vale mais, a vida humana ou os negócios? Afinal, amigos, amigos, negócios, a parte – triste. Não seria tudo uma armação passional de seres que dão não conta que devem se tornar senhores de suas vontades e de suas escolhas? Maior do que a passionalidade envolvida será a imaturidade de ações. Impossível permanecer durante todo o tempo acordados, sem uma brecha para a fuga, ou pior, que a polícia tanto espera? Não haveria mecanismos suficientes para garantir a segurança do entorno que está envolvido indiretamente nos acontecimentos, fazendo esta ação tola se prolongar. Somos, por acaso, vitimas indiretas de uma passionalidade ilimitada de seres imaturos que não conhecem seus próprios limites que transformaram a baixa qualidade da TV em espetáculo dos horrores? Os pais de Heloá e de Lidemberg onde estarão durante este infortúnio, senão, pagando por uma exposição desnecessária da bestialidade humana. A bestialidade é tão grande que o São Paulo FC resolvera ajudar no caso, enviando seu superintendente de futebol para negociar, vejo nisso duas possibilidades: uma tentativa de expansão de markentig ou uma maneira de mostrar a incompetência das ações do Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Paulista – que consegue entrar em choque consigo mesma. São estas as questões que se tornam presentes quando o bom senso desaparece e fica apenas a bestialidade humana.


 

p.s.: texto escrito na manhã de sexta-feira, 17. Durante a noite o seqüestro deve seu desfecho dando início ao outro drama.