quinta-feira, 5 de junho de 2008

A PARTIDA OU A DESPEDIDA

Existem momentos que as palavras insistem em não sair. Este foi um daqueles momentos. Cinco dez ou até mesmo vinte segundos que parecem ter durado uma eternidade. Não, eles não estavam no museu, estavam num carro. O trânsito estava parado, o relógio insistia em avançar, o tempo estava acabando. Ele, não tinha exata noção do que iria acontecer daí em frente, ela para viver aquele momento apenas preocupou-se com a tênue faixa que separa o futuro do passado. Por instantes tentaram transformar o universo mágico da noite em toda a felicidade que há no mundo. Ele queria pegar na mão dela, ela olhava o trânsito, mas não o fitava. Na cabeça dele as últimas palavras deveria representar tudo o que estava sentindo, mas saber o que estava sentindo era uma missão impossível – apenas sabia que aquilo era bom, estar era suficiente. As mãos dela deslizavam sobre os comandos do veículo, ele admira a beleza e ela era forte. Chegou à hora da despedida, na cabeça o mundo cessava seus movimentos, ele tomou coragem de falar: obrigado por este tempo, seja feliz. Mas, ele mesmo não sabia como seria os dias seguintes, se saber, que os dias seguintes não seriam, porque após a despedida não houvera mais nada senão a vontade do reencontro sem uma nova despedida.