sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Depois da curva *

Ao pensarmos em caminho, logo nos vem à mente a figura de uma estrada, de uma rodovia... Nesta é possível ver vários formatos e como estão desenhados, um início um meio, uma curva. A partir desta curva é que começa todo o segredo. Começamos a imaginar como será depois dela. Porém todos os elementos e formatos que a priori fomos adquirindo, formando a estrada que imaginamos, fica sempre incompleto.

Toda a nossa história humana pessoal parece começar com uma grande corrida. Assim a medicina nos assegura que, no ato, antes de nossa concepção foi preciso uma grande corrida para o esperma a tocar o óvulo, fazendo união com ele, tornando-se um novo ser. Para isso fora necessário muito esforço, uma corrida por um caminho longo e também com suas curvas, escuras, úmidas, escorregadias, mas ao certo inimagináveis. Mas o caminho não encerrou quando o espermatozóide se fundiu ao óvulo, ele simplesmente ganhou novo formato, se revigorou para continuar a missão de corredor.

Ao longo de meses, de transformações, tornou-se capaz, agora forte e resistente, de continuar a caminhada. O choro, ao nascer, indicava o quanto era incerto aquele trecho da estrada após a aquela curva, mas era preciso superar e encarar a nova realidade, afinal, já era tido como um grande campeão.

Com muita dor, com muito esforço foi-se transformando, e fazendo-se um ser capaz de pensar algumas coisas, capaz de responder a uma série de porquês, que surgia a cada passo, em cada momento, contudo sempre persistiu a dúvida: o que veria depois de cada resposta, de cada curva superada.

Os anos foram passando, a consciência do caminho foi se tornando cada vez mais real. O caminho foi se fazendo. A cada curva uma nova descoberta, embora já se fantasiasse como seria, sempre seria uma surpresa.

A surpresa sempre nos intriga, causa medo, estranheza, insegurança, mas parece ser o fato motivador do caminhar, o que nos impulsiona o que faz arder o nosso peito em querer buscar sempre mais. O desejo faz com que não se preocupamos com o perigo iminente, superamos o medo, vamos ver o que nos espera do outro lado da curva.

Diante disso surgem as teorias, os mapas, com sugestões mirabulantes, com atalhos, dicas querendo antever o que vem depois, mas ao que parece nenhum deles conhece, não consegue dar precisão de como será. Sempre que apresenta uma resposta, lança outra pergunta mais intrigante e desafiadora, num jogo sem fim. Um devir constante.

Creio que o grande segredo é exatamente esse, a incerteza de um caminho novo a descobrir e a certeza de não podermos parar sem fazer a experiência do descobrimento. Não importa quantos anos levaremos para vencer todas as etapas de nossa caminhada. Pode durar um dia, um mês, um ano... Mas só teremos clareza do caminho quando chegarmos lá. Enfim, acredito que será mais feliz aquele que compreendeu o verdadeiro sentido da descoberta, e não se acovardou diante da incerteza que é preciso percorrer cada etapa com a garra e a determinação que ela exige. Quem assim o fizer perceberá ao final que valeu a pena ser um corredor e receberá o louro da vitória.

* Texto de Edson Teixeira de Lima (Filósofo e estudante de Teologia).