terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A DANÇA DOS PÁSSAROS

Os pássaros têm uma capacidade que por muitas vezes permaneço invejando-os. A capacidade de voar, de fazer acrobacias com uma precisão sem limites. O Beija-flor possui a incrível arte de “molhar o bico” e ainda com charme de voar para trás. Mas, apesar de toda liberdade uma cena me chamou a atenção. Dois pássaros brincando no chão firme. Um casal de canários comum, enamorados, dançando ao som da mais bela das melodias – a melodia da natureza. Elas voavam em sincronia e voltavam para o chão, rolavam e brincavam como namorados costumam fazer – porém, na areia. Sentiam o firme e se lançavam novamente para os céus, depois da voltinha, novamente a dança se repetia na areia. Uma cena digna de veneração.

Eu continuei minha caminhada vespertina. Levava comigo uma doce melodia. Mas apenas pensara na cima vista. Até mesmo os pássaros onde possuem por limite o infinito, buscam o chão firme. Curioso! A mãe natureza nos ensina a buscar aquilo que está seguro para permanecer debaixo dos pés. Para o povo exilado a terra é mais do que segurança, é um sinal de pertença a uma grande história. Aqueles pássaros tinham o sinal de pertença, o chão que marcava o encontro amoroso – e a pertença não era o céu.

O firmamento marca a segurança, não a prisão. Todos nós temos a necessidade de um ponto de equilibro ou de um porto seguro. Mas essa necessidade não pode ultrapassar o limite do aceitável e transformar-se em possessão pelo seguro. A vida assemelhe-se a aventura do casal de pássaros. Em alguns momentos é necessário se largar rumo ao conhecido em outros é preciso voltar para o chão que marca nossa pertença. A noção de equilibro é que nos leva a felicidade (e viva a Aristóteles).

Cuide bem de seu amor!