domingo, 6 de janeiro de 2008

Bem vindo 2008: uma crítica ou autocrítica?

Novo ano, novas promessas, novos propósitos, novas queimas de fogos na praia e nós no longínquo Braço Direito: um “Bom Princípio”. Felicidade, paz, amor e saúde dentro tantos outros votos para o novo que está adentrando. Porém, o Jornal Nacional dá as boas vidas com as seguintes notícias: pessoas são baleadas na noite da virada no Rio de Janeiro; a Missão Emanuel fracassa e os presidentes colombiano e venezuelano trocam farpas; o Quênia tem as eleições fraudadas; mais de cinqüenta pessoas morrem queimadas dentro de uma igreja... Bem vindo 2008!

Nos últimos dias de 2007 tive o prazer de reler a obra de Saint-Exupéry, o Pequeno Príncipe. “As pessoas grandes são muito esquisitas (...) as pessoas grandes são de fato muito estranhas (...) as pessoas grandes são decididamente estranhas, muito estranhas (...) as pessoas grandes são mesmo extraordinárias.” As pessoas grandes fazem coisas que são inexplicáveis e incabíveis. O meu maior desejo para 2008 é que eu possa ser um pouco menos uma pessoa grande e ter um espírito capaz de compreender que a vida não é feita de grandes espetáculos, mas a sua construção dar-se-á a partir de cada pequeno gesto cotidiano. Essa regra vale também para a política, para as questões sociais. Compreender a dura e seca realidade, transformando cada dia numa nova aurora, mas numa aurora que seja possível observar a gravura e ver um elefante dentro de uma jibóia e não um chapéu.