sexta-feira, 2 de novembro de 2007

A MÍDIA E IDEOLOGIA

Tem uma coisa que não existe no Brasil, mas deveria existir: transparência dos meios de comunicação em relação à sua corrente ideológica. Explico: na Europa (Noruega, França e Itália são os países que me vêm à mente), os jornais são ou de partidos políticos ou declaram sintonia com algumas correntes se autodeclaram liberais, de esquerda, conversadores, trabalhistas, etc.
No Brasil é essa coisa meio camuflada (mas que na verdade não esconde muita coisa), e eu acho que ajudaria muito se algumas mídias declarassem a qual tendência pertence. Vejam a Veja, por exemplo (sem trocadilho), não ficaria mais fácil e menos arrogante caso a revista se autodeclarasse representante do pensamento conservador, retrógrado, das elites brasileiras? Sim, porque a forma com a qual tratam a notícia, na minha modesta opinião de leigo em jornalismo, ultrapassa limites éticos da função do jornalismo que, se não pode deixar de omitir seu viés, deveria pelo menos conter suas narrativas ao campo das análises. Sempre a revista desqualifica as propostas das outras correntes com ironia, com sarcasmo. Eu me pergunto, e o faço talvez com ingenuidade, mas com genuína curiosidade: isso é ético? Se viesse com uma etiqueta do tipo “representamos o pensamento (?) conservador”, tudo bem (...). E é cômico quando eles tentam defender dois pontos de vista ao mesmo tempo, como na edição que ao tratarem das inspeções nucleares aqui no Brasil. Ora parecem contestar os argumentos do Governo Brasileiro, ora ensaiam dizer que são argumentos legítimos. Será que a mera informação não daria ao leitor melhores condições de refletir, e não seria mais honesto?

Será que toda a mídia brasileira tem que perpetuar esses exemplos? Quando seremos éticos? Quando pararemos de desrespeitar as pessoas? Quando é que se deixará de mostrar presos em delegacias, sem que houvesse o devido processo legal? Quando é que se respeitará a privacidade dos pobres nos programas jornalísticos? Quando é que separarão notícia de espetáculo? Quando é que a notícia irá favorecer o livre pensamento, ao invés de simplesmente tentar direcioná-lo para discursos lacunosos?