sábado, 10 de fevereiro de 2007

Quando as lágrimas caem...

Eu e meu violão formamos uma dupla e tanto. Na solidão da imensidão de meu quarto, formamos uma amizade de vários anos. Cada acorde, cada nota, cada ritmo são retratos de emoções, sonhos, conquistas e fracassos. Aparentemente as músicas mais difíceis se tornam mais especiais, mas teve uma que me marcou na simplicidade de dois acordes: “daqui a um mês quando você voltar...”

Entre a razão e a paixão existe um mundo desconhecido à mente dos filósofos. Amigo leitor confesso que já tentei buscar o mundo inteligível e numa dessas viagens fui parado pelas minhas lágrimas: “a folha do calendário, o trabalho para ganhar um salário”. E percebi que minhas lágrimas tinham um endereço e um nome certo – estava surpreendente chorando. Naquele instante a mão que descia suave sobre a nota grave era marcada pelo sabor amargo da ausência: “mas agora você vai embora, quanto tempo será que demora? (...) e a saudade em mim agora”. A saudade é uma palavra à espera de tradução. E na ansiedade de buscar essa tradução, perdi-me pelas vias da vida como se perde os dedos entre as cordas e não sei ainda explicar porque fui eu e porque perdi...


Música incidental: Daqui a um mês – Biquíni Cavadão.

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