sábado, 13 de janeiro de 2007

ANGÚSTIA E FELICIDADE (*)

Acho que a angústia é mais frutífera que a felicidade. Certa vez uma aluna questionou Epicuro afirmando que a felicidade não existe, somente há momentos felizes. Pode ser, mas após alguns e bons momentos felizes fico pensando na riqueza da angústia.

A angústia é importante. Ela nos faz largar a toca e sair buscando uma alternativa à melancolia. Sair do poço profundo e ir ao encontro de uma saída. A angústia não é ponto de chegada, é uma alerta de que alguma coisa está errada. Alerta: é preciso mudar, buscar alternativas. Sim a angústia é boa, mas somente é enquanto for motivadora para a quebra de falsos paradigmas que atribuímos à felicidade, caso contrário tornar-se-á depressão.

Pobre da felicidade, pobre da ataraxia. Considerada um ponto final, uma chegada: estamos felizes e nos acomodamos com aquela situação. Pobre situação, o mundo vai se transformando e os pobres mortais felizes não são capazes de acompanhar essa mudança. Os céus se entristecem e a alma feliz continua da mesma sensação. Não é capaz de acompanhar as mudanças...

Não quero permanecer na angústia, mas também não quero que a felicidade se transforme em águas profundas. Não existem chegadas, existem transformações e um eterno aprendizado àquele eterno protagonista.

(*) Dedico este texto a duas leitoras: a querida Eloísa Costa, sábia leitora e a outra não posso nomeá-la, mas sei que ao longo de anos fui causa de angústia e com a angústia ela se excedeu, a ti: luzzz.