sábado, 23 de dezembro de 2006

Vaga idéia de paraiso

As maiores lições são escritas à luz da verdade, do coração. Estou perdendo amigos, amantes, amores e um passado. Quando pequeno minha mãe me ensinou que era feio mentir. Então interpretei que era necessário falar a verdade. Enganei-me! Chega num momento em nossas vidas que é preciso abandonar a sórdida vaga idéia de paraíso que nos persegue e entrar num barco a deriva.

Sim, é preciso se lançar ao desconhecido e esquecer da política, do emprego, das razões e principalmente das motivações. Esquecer que é feio mentir também para poder enfrentar o maior de todos os medos do ser humano, o medo de si próprio. Só que mais feio do que mentir, é as palavras não ditas, os sonhos não sonhados, o silêncio amargurado e as paixões mal acabadas. Talvez, se Bush pense assim, ou o lirismo esquerdista de Lula e Chávez encarnasse essa idéia as coisas poderia ser mais tranqüilas. Por que não? A política se revela na deriva de idéias e planos, ou me engano? Os criticamos porque projetamos nosso fracasso e nossas ilusões nas tentativas de pseudospopularistas revolucionários do pós-guerra.

Falo de mim ou falo de política? Falo dos dois, porque um homem sem coração, sem idéias é um grande mentiroso, calado, insone e mal amado. “O mal se banaliza e o bem vira um luxo burguês” e o coração do ser humano uma insólita idéia de amor.

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