sábado, 16 de dezembro de 2006

As dálias em meu jardim

Descobri que gosto de flores. Não sou um jardineiro nato, é difícil manejar com a tecnologia de uma enxada. São muitos movimentos coordenados simultaneamente. Não quero falar da agonia do ato de carpir, mas de duas plantas que havia em meu jardim.
Minha mãe gosta de Dálias. Confesso que o tamanho delas tira toda a visão do jardim. Mas algo me chamou atenção. A natureza dessa planta se revela na inveja. Uma manhã de chuva, uma flor de três cores nasceu em meu jardim. Ao lado dela, uma planta feia, com flores desbotadas, dálias desbotadas. Pensei comigo, pobre coitada, a bela e a fera. Para minha supressa, a bela desaparece e somente a fera permanece. Sim, aquela planta teve uma única flor e secou. Para mim a explicação foi a inveja.
Vou falar da inveja. Ela mata, destrói e seca. Se fossem apenas as flores, tudo bem. Mas a inveja mata o ser humano aos poucos, devagar, causa separação. O pior faz sofrer. Quantas vezes eu falei para as pessoas: faz o que o teu coração manda. Fácil é falar, mas por em prática, torna-se difícil. E o que isso tem com a Dália? Se a Dália tivesse escolhido viver e escutar o coração, ela teria mais flores de três cores. Teria suportado a inveja e esperado o tempo necessário para florescer de novo. Agora em meu jardim, apenas tenho a planta feia. Mas vou sacrificá-la. Afinal de contas, toda transgressão tem uma pena ou um castigo.
Na vida podemos escolher, ser destruído com a inveja ou resistir e embelezar o jardim. Tudo depende da escolha. Eu escolhi esperar, porque me sinto encantado da beleza de minha Dália, que embora distante, me faz lembrar de suas cores.

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