domingo, 2 de abril de 2006

Carta de Lucas

Meu nome é Lucas (nome fictício), eu era envolvido com drogas e já estive em assaltos por causa disso. Já atirei em uma pessoa e já fiz muitas coisas erradas. Mas hoje estou arrependido e aprendi a levar uma vida honesta e sem drogas.
Eu vou contar uma historia e se estiver alguém lendo isso que já esteve envolvido, ou está, pare e reflita.
Eu achei um jornal de 1986 e tinha a seguinte noticia: “cocaína mata jovem em hotel.” Um engenheiro doidão por conta de uma overdose vagava pelos corredores de um hotel do Rio de Janeiro, tentando fugir sem saber para onde, quando os funcionários chamaram a polícia.
No quarto onde ele passara a noite encontraram uma jovem de 26 anos. No chão havia cinco seringas para injetar drogas. Segundo o engenheiro participante do embalo, ele e a moça já tinham tomado muitas doses quando ela resolveu tomar a ultima e morreu no local.
Ao ler essa noticia senti no meu coração uma grande aflição. Pensando na multidão de pessoas envolvidas com drogas, talvez sem a menos possibilidade de recuperação. Ao mesmo tempo que, em meio a minha agonia, experimentava uma grande alegria pelo livramento que Deus me deu e reflito com tristeza sobre o pouco que eu tinha feito em benefício dessas pobres criaturas, com as quais tanto me identifico em razão da experiência pessoal. Durante sete anos estive enterrado num sofrimento indescritível, sei portanto, o que é sofrer de baixo deste fogo ardente que consome, matando o corpo e a alma. A droga arrebata completamente a esperança de crescimento e progresso. Em vez de subir e melhorar, o viciado desce ladeira a baixo espelhando sua autodestruição.
Muitos viciados procuram desculpar-se, cobrir e camuflar suas fraquezas, dizendo coisas do tipo: só uma cheiradinha ou mais uma fumadinha”, mas com isso se tornam cada vez mais escravos.
“Há caminhos que ao homem parecem direito, mas representam apenas o caminho da morte.” (Pr 14, 12)
Lucas, março de 2006.