sábado, 21 de janeiro de 2006

Preso volta à cadeia

Com medo de cometer outros crimes, condenado alega não ter conseguido se adaptar à sociedade e retorna. Assaltante pede e volta para a cadeia.

( www.estaminas.com.br – Belo Horizonte 11 de janeiro de 2006)

Querido leitor, estou pasmo, acreditem. Pela primeira vez ouço que algum preso pede para voltar a prisão. Difícil entender o que passa pela cabeça de um ser humano. Muitos passam a vida em busca de uma tal de liberdade, outros simplesmente gastam a vida afirma que o conceito de liberdade é inexistente. Outros a reduzem a uma vida sem as algemas da prisão. Que tipo de conceito este cidadão teria de liberdade?

A liberdade de ter garantido o misero pão de cada dia. Talvez a liberdade de ter um canto qualquer para dormir. Ainda, ter sofrido a institucionalização do sistema carcerário e achar que a sociedade esta alienada a este processo. Liberdade de andar e não respeitar as pessoas ditas “livres”. Enfim, como podemos perceber, inúmeras são as possibilidades.

Ter e não ter constituem uma dinâmica que ao mesmo tempo é distante e na distância se fazem próximas. É distante pelo fato de separar dois mundos diferentes: as algemas da prisão e vida árdua do trabalhador cotidiano. Ao mesmo tempo se faz próxima que o não cumprimento das normais legais de uma vida proletária fazem o humilde trabalhador ser recolhido do convívio social. Portanto, uma sociedade normalista.

Mas nada disso ainda não consegue explicar o fato de alguém que recebera a permissão de sair da cadeia peça para voltar. A dinâmica utilizada pelo nosso amigo segue critérios e lógica diferentes da qual estamos habituados a usar. Como diria José Simão: “O Brasil é o país da piada pronta.”