sábado, 14 de janeiro de 2006

Pão e Circo

Queridos leitores eu adoro assistir aos Simpsons. Aparentemente um desenho bobo, mas somente é bobo aparentemente. Lembro-me vagamente de um episódio que Homer Simpson (meu herói) está diante de um astro do cinema americano. Interrogado sobre seus atos inconseqüentes ele afirma que a televisão é uma fuga diante das dificuldades da vida cotidiana. Pasme leitor, um momento de reflexão de nosso herói (compartilho com todos). Sim a televisão funciona como uma válvula de escape para a dureza enfrentada. Homer, por sua vez me lembrou de um bordão histórico: pão e circo.

Estamos em ano de Copa do Mundo, todos os olhares se voltam para a Alemanha e o favoristimo do futebol pentacampeão. De fato Homer estava certo, a televisão, principalmente em época de Copa de Mundo, funciona como uma válvula de escape. O torcedor projeta suas limitações, suas frustrações em onze humanos considerados semi-deuses. Diante do espetáculo a mente se cala e o coração é conduzido por uma voz gritante (dica-se irritante): “que jogo dramático”. Está estabelecido o Pão e o Circo. Diante da competição regada por milhões de dólares, pobres de todos os cantos, param seus trabalhos para que grudados ao aparelho televisivo projetem um sonho que transcenda a dificuldade da realidade. E nos mágicos noventa minutos toda a fantasia sufocada pela realidade é transporta para dentro do estádio, onde todos nos transformamos em Homers Simposons.

Albio Fabian Melchioretto