sábado, 7 de janeiro de 2006

ATALHOS

Um dia resolvi sair da minha própria casa, da minha própria história em busca de um sonho que já me acompanhava fazia muito tempo. De repente meu sonho e eu nos encontramos olhando para a parede de uma Igreja mergulhada nas pinturas e na sua imensidão, eu carregava junto do coração a confiança de começar uma longa jornada, sem saber se haveria fim.

Se um dia eu não tivesse sonhado acho que jamais teria conquistado coisa alguma na vida. Mesmo assim a esperança da realização não significa facilidades na conquista das metas. Muitas vezes eu me entreguei à atalhos que me distanciaram do meu sonho, não desisti. Às vezes o “coração encontra razões que a própria razão desconhece” (Ide Pascal, 1620) e este meu coração me levou a cometer loucuras na busca incansável do eterno amor. Esta busca me fez mergulhar em um universo que não queria conhecer, mas para rumar ao sonho, tive que aprender a conviver comigo mesmo. Cansei de suplicar pedindo para que o convívio fosse ao menos suportável. O eterno amor procurado se apresentou da forma mais clara e simples que pude acreditar, pelas interrogações que me habitam, fugi ao encontro de um abrigo seguro.

Hoje os fantasmas que me assombram podem tornar-se flores de um belo jardim, se buscar a felicidade sem sair da minha própria história. Devo viver minha vida caminhando sempre para a verdadeira felicidade, sendo sincero comigo e com meu grande sonho: a felicidade... talvez um grande amor que não tive coragem de aceitar.

Albio Fabian Melchioretto

Antologia

Texto publicado em 2003