Domingo, Fevereiro 07, 2010

O professor está sempre errado

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor! É jovem, não tem experiência. É velho, está superado. Não tem automóvel, é um pobre coitado. Tem automóvel, chora de "barriga cheia'. Fala em voz alta, vive gritando. Fala em tom normal, ninguém escuta. Não falta ao colégio, é um 'caxias'. Precisa faltar, é um 'turista'. Conversa com os outros professores, está malhando' os alunos. Não conversa, é um desligado. Dá muita matéria, não tem dó do aluno. Dá pouca matéria, não prepara os alunos. Brinca com a turma, é metido a engraçado. Não brinca com a turma, é um chato. Chama a atenção, é um grosso. Não chama a atenção, não sabe se impor. A prova é longa, não dá tempo. A prova é curta, tira as chances do aluno. Escreve muito, não explica. Explica muito, o caderno não tem nada. Fala corretamente, ninguém entende. Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário. Exige, é rude. Elogia, é debochado. O aluno é reprovado, é perseguição. O aluno é aprovado, deu 'mole'.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Erros e acertos

A filosofia precisa de liberdade porque ela é o espaço do erro, diferente da religião e da ciência que são espaços da verdade e do acerto.

Frase do Twitter do prof. Ghiaraldelli, seg, jan 25 00:02:41.

Sábado, Janeiro 30, 2010

Lamento pelo Haiti

Texto de Leonardo Boff

Há uma via-sacra de sofrimento com estações que nunca acabam no pequeno e pobre país do Haiti. Sofrimento no corpo, na alma, no coração, na mente assaltada por fantasmas de pânico e morte. Há também muito sofrimento em todos que não perderam o senso mínimo de humanidade e de solidariedade. Dessa compaixão universal nasce uma misteriosa comunidade que anula diferenças, religiões, ideologias que antes nos separavam e nos dividam. Agora só conta a comum humanitas absurdamente maltratada e que deve ser socorrida. Em cada haitiano que sofre soterrado ou que morre de sede e de fome, morremos um pouco também todos nós junto com eles. Finalmente somos irmãos e irmãs da única e mesma família humana. Como não sofrer? (...)

Esse silêncio de Deus é aterrador porque não tem resposta. Por mais que gênios como Jó, Buda, Santo Agostinho, Tomás de Aquino, Leibniz e outros tivessem arquitetado argumentos para isentar Deus e esclarecer a dor, nem por isso a dor desaparece e a tragédia deixa de existir. A compreensão da dor não suspende a dor, assim como ouvir receitas culinárias não mata a fome. O próprio Jesus não foi poupado da angústia do sofrimento. Do alto da cruz lançou um brado lancinante ao céu, queixando-se: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Amei, tanto faz: não!

Muitas pessoas passam pela nossa vida. Passam no pior dos sentidos, sem marcar. Mas, há outras que deixam raízes, que fazem parte do processo de "envelhecer". Não trato aqui envelhecer no sentido de ficar velho, não, mas no sentido de crescer. Este sentido é marcado por uma simples frase, por um email, por um sorriso, por um momento de paz num lugar inusitado. Estas coisas são importantes porque constroem as lembranças. Triste é viver sem ter lembranças, triste é não ter uma história para contar e ter uma história, é ter uma passagem marcada pela vida.

Nunca fui covarde/ Mas agora é tarde/ Amei tanto / Que agora nem sei mais chorar

Vivi te buscando / Vivi te encontrando / Vivi te perdendo / Ah, coração, infeliz até quando?/ Para ser feliz / Tu vais morrer de dor

Amei tanto/ Que agora nem sei mais chorar

Nunca fui covarde/ Mas agora é tarde / É tarde demais enfim / A solidão é o fim de quem ama / A chama se esvai, a noite cai em mim

(Vinicius de Moraes - Amei Tanto)

Ouça a música

Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

Sua obra continua viva

Entre todos os filósofos da Anarquia, Pedro Kropotkin foi aquele cujas concepções mais largamente penetraram na consciência dos operários do Brasil. Quando a dolorosa notícia do desaparecimento do nosso amigo chegou ao Brasil, estou certo de que o pensamento de todos os explorados que vivem sob o Cruzeiro do Sul voou para a longínqua Moscou, onde morreu o filósofo de A conquista do pão. Mas Kropotkin pertencia à plêiade de homens cuja morte é a consagração da vida, e que morrendo se imortalizam. Ele morreu, mas sua obra continua viva e crescerá sempre mais em um futuro que parece muito próximo, resplenderá na glória da Comuna Universal dos Trabalhadores.

Canellas in Temps Nouveaux, números 19 a 21, número special consacrê a Pierre Kropotkine, mars, 1921; citado em SALLES, Isa. Um cadáver ao sol. Rio de Janeiro: Ediouro, 2005, p. 67/68

Sábado, Janeiro 16, 2010

A moral da sobrevivência

O fato de termos preocupações recíprocas pode determinar uma ação moral. Para justificar esta afirmação quero relembrar um argumento antropológico da moral como uma questão de sobrevivência. Vejamos o exemplo de leões e elefantes que vivem em bando. O que acontece com os elefantes quando são atacados por leões? Procuram fugir em bando para se proteger. Na confusão permanecem agrupados. Há um despertar do instinto da proteção através do gesto do agrupamento. Poderíamos transpor esta ação para o campo da vida humana. Há antropólogos que definem que a moral nascera na história da humanidade como um instinto de sobrevivência. Há o agrupando e através dele o despertar de um conjunto de regras e normativas que servem como um instrumento de proteção para o grupo. A vivência de bandos torna o grupo mais forte e há o despertar de princípios que mantenha uma determinada ordem dentro do grupo. Esta ordem nasce a partir da necessidade primária da sobrevivência. O passar dos tempos faz esta função desaparecer e o que entendemos por moral assumiu outra postura. Hoje o ser humano pode se recolher a sua vida privada e nela construir os mecanismos necessários para a sobrevivência que vão além daquilo que é prescrito exteriormente como moral.

Quinta-feira, Janeiro 14, 2010

A atitude do questionamento

A filosofia não é só um conhecimento histórico. A razão possibilita uma saída desta falsa ideia que limita a ação do filosofar. A razão dá ao indivíduo que busca exercitar a razão os saberes e o conhecimento. Mas para isso é preciso a atitude do questionamento.