Domingo, Maio 27, 2012

Em dia de pensar os dez mandamentos


Guardarás domingo e dias de festa. Eis o terceiro mandamento da Lei de Deus. Pois bem, em dia de muita velocidade eu o guardo, não da maneira como muitos gostariam que fosse guardado, mas em dia de Mônaco, Indianápolis e Charlotte, há apenas uma placa: “eu não estou”.

Sou um crítico da forma como Galvão tem narrado o esporte. Estou com planos reais para uma nova possibilidade de acompanhar as imagens da F1, mas hoje o fantástico profeta do automobilismo acertou. Na barbeiragem de Grosjean alguns pilotos usaram uma passagem alternativa, 10 voltas mais tarde vem o aviso da profecia. Os pilotos que passaram foram do traçado serão investigados. Mas há como passar sem sem cortar a curva. Mais algumas voltas, na n. 12 houve o decreto de não punição.

No começo da corrida Massa possuía um ritmo mais forte que o de Alonso. A transmissão cornetara a ordem de equipe. Mas é óbvio que não haveria uma ordem de inversão de posição. Afinal na frente anda um bicampeão quase líder do campeonato e outro que está somente em 17º na classificação. Para o mundo do esporte onde o grande patrocinador da equipe é uma marca espanhola não haveria esta ordem nem aqui nem nas ruas de Monte Carlo. Mas isso não durou muito, logo na volta 18 Alonso começou a andar a moda Alonso. O ufanismo de ver um brasileiro na frente parou. Eu continuou a torcer por Massa, mas é preciso olhar os fatos e não criar falsas expectativas, ou seria um “falso testemunho”? Eis mais um mandamento.

Não mentir deveria estar no lugar de não desejar a mulher do próximo. Às 9h38, expectativa de chuva em até quatro minutos. 9h41 Rosberg faz a troca, será que a Mercedes está jogando a corrida fora? 9h42 a expectativa de chuva é a maior torcida, porque na pista não há nada de emocionante. 9h48 a chuva deve chegar em 5 minutos, eis uma nova previsão. O serviço meteorológico das equipes da F1 já não é mais a mesma. E nesta altura a briga global de Alonso e Massa já não mais existe. Agora a briga é a perca de tempo em box, haja coração amigo! Passara dez dos cinco minutos e cada a chuva? Já deve ter índio dentro da transmissão global fazendo a dança da chuva (cadê a câmera exclusiva da Globo para mostrar?) para ter emoção. 10h09, a chuva não vem mais. Dai o narrador solta “quando a chuva vem, amigo, ela vem!”. E não é que alguns pingos vieram, mas apenas em 10h32. E ela veio. Na volta 70 os seis primeiros colocados engarrafaram. Será que a 290 km/h ninguém vai escapar? Logo, logo vai aparecer algum maluco sugerindo que fique alguém com uma mangueira molhando a pista porque isto dá mais emoção que o DRS. 10h44 a garoinha já parou e a chuva que vinha, desistiu de vir, apareceu e foi embora sem chegar.

E agora alguns pensamentos soltos:

O legal da transmissão da Globo são as câmeras exclusivas, o pré-prova, a visão da equipe de transmissão e os outros penduricalhos que aconteceram hoje. Que toda prova daqui para frente seja assim.

Na volta 45 é mostrada uma das melhores cenas, as duas rodas do carro de Hamilton no ar. O cavalo rampante é prateado e inglês. Assim que achar a foto pela net quero linká-la por aqui.

Em 63 anos é a primeira vez que as seis primeiras corridas do ano possuem seis vencedores diferentes: Button; Alonso; Rosberg; Vettel; Maldonado e agora Webber. O australiano chega a vitória n. 8 com 31 pódios, 12 voltas mais rápidas, 9 poles em 183 Gps. Começou sua carreira em 2002 guiando uma Minardi com o 5º lugar na Austrália e dividindo a equipe com o cortador de grama Alex Yoong.

Uma opção para ver a F1 pode ser o satélite Estrela do Sul 2 (EDS 63º W), banda Ku, Chilevisión. O canal chileno pode ser sintonizado em duas frequências diferentes. Uma delas é a 11600V 13745 7/8 no Mux VTR, se tudo der certo no Canadá quer ver por aqui.

Sábado, Maio 26, 2012

Segunda-feira, Maio 21, 2012

Girassol

Hoje foi um dia especial. É bom ser lembrado por amigos, algumas surpresas, mas o mais significativo foi chegar no estacionamento e achar um presente esperando por mim, um girassol.Simples? Não, uma flor carregada com uma história e com um significado.



O Girassol
Ira!

Eu tento me erguer
Às próprias custas
E caio sempre nos seus braços
Um pobre diabo é o que sou

Um girassol sem sol
Um navio sem direção
Apenas a lembrança
Do seu sermão

Você é meu sol
Um metro e sessenta e cinco de sol
E quase o ano inteiro
Os dias foram noites
Noites para mim

Meu sorriso se foi
Minha canção também
Eu jurei por Deus
Não morrer por amor
E continuar a viver

Como eu sou um girassol
Você é meu sol

Eu tento me erguer
Às próprias custas
E caio sempre nos seus braços
Um pobre diabo é o que sou

Um girassol sem sol
Um navio sem direção
Apenas a lembrança
Do seu sermão

Morro de amor e vivo por aí
Nenhum santo tem pena de mim
Sou agora um frágil cristal
Um pobre diabo
Que não sabe esquecer
Que não sabe esquecer

Domingo, Maio 20, 2012

Sem palavras


Sempre fui tão displicente com as palavras. Muitas vezes irresponsável. Sem olhar para as conseqüências fui semeando ao vento uma grande quantidade delas. A vida encontra maneiras simples de fazê-las ecoar. Ouvir o eco pode ser um sinal de alegria ou um passo as lágrimas.

De Oswaldo Montegro, sempre não é todo dia.
Eu hoje acordei tão só
Mais só do que eu merecia
Olhei pro meu espelho e ah....
Gritei o que eu mais queria
Na fresta da minha janela
Raiou, vazou a luz do dia
Entrou sem me pedir licença
Querendo me servir de guia

Na fresta da minha janela
Raiou, vazou a luz do dia
Entrou sem me pedir licença
Querendo me servir de guia

Eu que já sabia tudo
Das rotas da astrologia
Dancei e a cabeça tonta
O meu reinado não previa
Olhei pro meu espelho e ah....
Meu grito não me convencia
Princesa eu sei que sou pra sempre
Mas sempre não é todo dia...

Sexta-feira, Maio 18, 2012

ESCREVA A SUA HISTÓRIA


Em sala de aula, com a turma de Desenhista de Produto de Moda realizei uma atividade idealizada a partir da introdução do livro Pequeno Príncipe do Exupéry. Sei já ter falado desta magnífica obra outras vezes aqui no blog, mas esta atividade com fotos de infância fez-nos pensar bastante hoje. Em uma das turmas a conversa foi além da dinâmica e as meninas mostraram um olhar humano surpreendente. São momentos como este que valem à pena a escolha profissional. Mas ao longo de nossa conversa, lembrei-me de um dos poemas de Pedro Bial gravado no disco Filtro solar, chamado Escreva a sua história.

Escreva a sua história na areia da praia,
Para que as ondas a levem através dos 7 mares;
Ate tornar-se lenda na boca de estrelas cadentes.

Conte a sua história ao vento,
Cante aos mares para os muitos marujos;
Cujos olhos são faróis sujos e sem brilho.

Escreva no asfalto com sangue,
Grite bem alto a sua história antes que ela seja varrida na
Manha seguinte pelos garis.

Abra o peito em direção dos canhões,
Suba nos tanques de Pequim,
Derrube os muros de Berlim,
Destrua as cátedras de Paris.

Defenda a sua palavra,
A vida não vale nada se você não tem uma boa história pra contar.

Quinta-feira, Maio 17, 2012

Dance, monkeys, dance

Há bilhões de galáxias no universo observável e cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas, em uma dessas galáxias orbitando uma dessas estrelas há um pequeno planeta azul e este planeta é governado por um bando de macacos. Mas esse macacos não pensam em si mesmos como macacos. Eles nem se quer pensam em si mesmos como animais, de fato, eles adoram listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais: Polegares opositores, autoconsciência, eles usam palavras como Homo Erectus e Australopithecus. Você diz to-ma-te eu digo to-ma-ti. Eles são animais, certo?
 
Eles são macacos. Macacos com tecnologia de fibra ótica digital de alta velocidade mas ainda assim macacos. Quero dizer, eles são espertos, você tem que conceder isso. As pirâmides, os arranha-céus, os jatos, a Grande Muralha da China, isso tudo é muito impressionante, para um bando de macacos.
Macacos cujos cérebros evoluíram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo, na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes, todos os outros animais podem simplesmente ser.

 Mas não é tão simples para os macacos, pois os macacos são amaldiçoados com a consciência e assim os macacos têm medo, os macacos se preocupam, os macacos se preocupam com tudo mas acima de tudo com o que todos os outros macacos pensam. Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar com os outros macacos. O que é bem difícil, porque a maior parte dos macacos se odeia.
 Isto é o que realmente os separa dos outros animais. Estes macacos odeiam. Eles odeiam macacos que são diferentes, macacos de lugares diferentes, macacos de cores diferentes.

 Sabe, os macacos se sentem sozinhos, todos os 6 bilhões deles.

 Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus problemas. Os macacos querem respostas, os macacos sabem que vão morrer, então os macacos fazem deuses e os adoram. Então os macacos começam a discutir quem fez o deus melhor, e os macacos ficam irritados e é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar uns aos outros.

 Então os macacos fazem guerra. Os macacos fazem bombas de hidrogênio, os macacos têm o planeta inteiro preparado para explodir, os macacos não sabem o que fazer.
 Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos. Os macacos fazem troféus e então eles os dão para si mesmos como se isto  significasse algo.

 Alguns dos macacos acham que sabem de tudo, alguns dos macacos lêem Nietzsche, os macacos discutem Nietzsche sem dar qualquer consideração ao fato de que Nietzsche era só outro macaco.
 Os macacos fazem planos, os macacos se apaixonam, os macacos fazem sexo e então fazem mais macacos. Os macacos fazem música, e então os macacos dançam, dancem macacos, dancem! Os macacos fazem muito barulho, os macacos têm tanto potencial. Se eles pelo menos se dedicassem. Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa ostensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco.
 Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de "cidades". Os macacos desenham um monte de linhas imaginárias na terra. Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização. Os macacos estão poluindo e saqueando seu planeta como se não houvesse amanhã. Os macacos gostam de fingir que está tudo bem.

 Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício, como você pode ver, esses são uns macacos atrapalhados.

Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta, e os macacos não querem ser macacos, eles querem ser outra coisa mas não são.

Quarta-feira, Maio 16, 2012

PEC 438/01 - vigilância para os “escravocratas modernos”



Deputado Federal Cláudio Puty

Em todo país, vários segmentos se movimentam para não deixar esfriar o debate sobre a pauta da votação da PEC 438/01 do trabalho escravo, que prevê a expropriação, para fins de reforma agrária, de terras que explorem formas de trabalho degradante e análogo ao escravo.
Em todo país, vários segmentos se movimentam para não deixar esfriar o debate sobre a pauta da votação da PEC 438/01 do trabalho escravo, que prevê a expropriação, para fins de reforma agrária, de terras que explorem formas de trabalho degradante e análogo ao escravo.
A bancada ruralista tenta retardar este processo de votação, sob a alegação de falta de clareza sobre a definição de trabalho escravo na legislação. Para o deputado Puty, presidente da CPI do trabalho escravo, a definição já existe: é o artigo 149 do Código Penal. 
O deputado Puty, diz que "a votação da PEC 438/01 não só define e enquadra o crime, mas é também um avanço em termos de um fim mais social – de reforma agrária - para processos de combate às práticas de empregadores, que ainda no século XXI encontram nos arranjos equivocados, entre eles, do campo do agronegócio, um meio de exploração indevida de trabalhadores mais pobres do país", afirma Puty.
Em entrevista à Rede Brasil Atual, o deputado Puty levanta alguns fatores, para pontuar um debate sobre questões que a PEC do Trabalho Escravo motiva, para definição de políticas, de fiscalização de condições de trabalho, de observação da lei e dos direitos humanos.
Acompanhe a seguir trechos da entrevista.

Quem perde com a aprovação desta PEC?
São dezenas de proprietários rurais e algumas empresas urbanas, sejam elas da construção civil ou do setor têxtil, que têm recorrido historicamente ao uso de trabalho forçado, ou escravidão por dívida, ou trabalho degradante a custa da ignorância e da enganação pura e simples dos trabalhadores mais pobres em diversos lugares do Brasil, mas também recentemente em São Paulo. Essas pessoas têm representação aqui no Congresso e o discurso dos escravocratas modernos é sempre de que o trabalho escravo não existe, de que não há uma definição clara na lei sobre o que é o trabalho escravo e de que o problema seria na realidade o excesso de fiscalização que criminalizaria os proprietários. 

Como opera atualmente a escravidão no Brasil?
A fiscalização do Ministério do Trabalho funciona de acordo com a lei. A lei diz que o trabalho escravo ou análogo ao escravo é caracterizado pela escravidão por dívida, no qual o trabalhador é arregimentado por um “gato”, ou o “coiote”, e a pessoa, ao chegar na fazenda, descobre que tem uma divida e que tem de pagar os custos do transporte, do alojamento e da alimentação. Só que ele nunca consegue pagar essa divida, pois sempre coloca na conta mais gastos com alimentação. 
Em segundo lugar, a jornada exaustiva, na qual o excesso de trabalho leva as pessoas à morte. Em terceiro lugar, as condições degradantes, aí envolve tomar água com animais, não ter tratamento médico, alimentos estragados, dormir em barracões sujeitos ao relento e sem condições. Essas três características básicas fazem com que nós chamamos algo de trabalho escravo. 

O que o senhor considera fundamental para que, aprovando a lei, ela seja validada?
Aprovando a PEC, o próximo passo é nós chegarmos a uma mais clara interpretação por parte da Justiça desse artigo 149 do Código Penal. A Justiça federal tem seguidas vezes dado uma interpretação diferente da interpretação do Ministério Público do Trabalho, do Ministério do Trabalho e da Justiça trabalhista acerca do trabalho escravo. Em termos práticos, o fiscal vai lá, autua, o Ministério Público denuncia, mas a juiz não dá seguimento ao processo ou dá ganho de causa ao proprietário. Então, com a PEC aprovada, o problema se transfere para o judiciário.